03 novembro 2006

Depois da tempestade...

Depois de uma ausência mais ou menos longa, tomei coragem para vir escrever este post.
Este tempo sem deixar notícias neste “cantinho da cegonha” que, infelizmente continua vazio, permitiram-me acalmar um pouco. A tristeza continua comigo mas, agora já consigo falar no assunto sem derramar um vale de lágrimas ... às vezes.

As primeiras semanas foram terríveis, dolorosas, de desânimo total. A única coisa que me apetecia era desistir. Não desistir de ter um filho, não desistir de ser mãe, nem de ter uma família, desistir do stress, da violência e da invasão na nossa privacidade, que os tratamentos de fertilidade nos impõem.
A sensação de desespero que me invadiu quando soube que teríamos que recorrer a ajuda médica e aos tratamentos de fertilidade, para concebermos um filho, regressou com toda a força. O medo de sermos um daqueles casais que lutam com esta doença uma vida inteira e chegam ao fim, esgotados e de mãos e coração vazio, regressou com toda a força.
A coragem, a esperança e a fé, que um dia seremos nós a festejar e a rebentar de felicidade abandonaram-me. Sentia-me literalmente esgotada e sem forças para pensar no futuro.
Estas palavras podem parecer uma dramatização excessiva de um problema infelizmente cada vez mais comum mas, efectivamente foram estes os sentimentos que me abalaram e continuam a abalar.
Nestas coisas exigem-nos tudo, total disponibilidade física, mental e financeira e em troca, podemos ter a felicidade extrema ou, no nosso caso, a desilusão completa. Foi uma entrega muito grande para acabar com o coração tão vazio!
Além da tristeza, descobri, quase aos 30 anos e apesar de fazer consulta e ecografias anualmente desde os 20, que afinal, nasci só com um ovário, isto quer dizer que, além do problema do R. eu também contribuo para agravar a situação, porque na estimulação só posso contar com um ovário! Apesar disto, o ovário que tenho tem funcionado muito bem porque faço bem a ovulação. A estimulação correu bem e os embriões que transferiram eram muito bons! Quando a psicóloga, a nosso pedido ligou à bióloga para saber o que tinha acontecido aos outros dois, a bióloga ficou muito admirada e atrevo-me a dizer decepcionada, por não termos conseguido o positivo, neste tratamento, precisamente porque os embriões eram promissores, segundo ela! Os outros não evoluíram, logo temos que repetir o protocolo.
Claro que, como não quero desistir de ser mãe, nem equaciono essa possibilidade para um futuro próximo, não tenho outra opção senão começar tudo do zero. Não o vou fazer com a mesma esperança, nem com a mesma expectativa, mas vou voltar a fazer!
Na realidade prefiro não me permitir ter esperança nem expectativas. Na consulta, em Dezembro logo veremos quando será a próxima tentativa! Uma coisa é certa, uma vez que dependemos de um hospital público, o número de tratamentos é muito limitado, logo a esperança tem que ser limitada também. Ficamos a saber na consulta de Psicologia que a cada casal é permitido fazer três tratamentos (FIV ou ICSI) no máximo, se a resposta à estimulação for boa, fazem quatro, dificilmente mais do que isso!

E são estas as notícias que tenho para deixar neste espaço!

Às companheiras que sofreram igual ou pior decepção deixo a minha tristeza e solidariedade.
Às companheiras que continuam a luta, espero que as minhas palavras não as deixem tristes e que tenham coragem e alento para ir em frente.
Às companheiras que atingiram o objectivo e estão num momento muito feliz, grávidas, deixo todas as felicidades do mundo!

Um beijinho grande para todos os que me lêem!
Bom fim de semana!

10 comentários:

Anónimo disse...

Já tou mais contente. Qual o meu espanto dps de tantas vezes vir aqui espreitar e hoje finalmente vejo noticias tuas. Sê forte amiga, podes contar comigo! beijos grandes! Eue.

viviana disse...

amiga levanta o astral!!!
um dia vai ser o teu dia!
é triste mas tambem é um risco que se corre e que nós nunca desejamos nao é?
jokas fofas e um bom fds

Sol disse...

A esperança é a última a morrer. E tenho a certeza que um dia vais sorrir de felicidade!

Bom fim-de-semana

carla disse...

Olá minha querida. Podes não acreditar mas hoje tive sempre o meu pensamento contigo.
Fico mais aliviada por saber notícia tuas.
Compreendo cada palavra que descreves como se estivesses a descrever o que se passou comigo.
Tenho consulta com a Drª. Eduarda já no próxino dia 16/11, vamos lá ver o que ela vai dizer e segunda feira vou ligar para o hospital para marcar a consulta de psicologia.
Agora minha querida temos que levantar a cabeça e começar todo o protocolo de novo. Vamos ter Esperança.
Muitos, muitos beijinhos
Carla

Sem Desistir disse...

Pois é amiga, esta vida não é fácil. Também eu, não crio expectativas, e é a minha 1ª tentativa, marcada para Março de 2007. Resta-me entregar a Deus o desfecho. Fica bem.

Tiquinha disse...

é doloroso amiga, mas temos que passar por cima da dor, temos que arranjar coragem sabe deus onde para seguir em frente!! A esperança e a fé não te abandonaram, so estão num cantinho a espera que lhes des permisão para voltar, Acredita amiga!!
beijocas
tica

Tixa disse...

Minha querida o desânimo é perfeitamente normal, estranho seria se não estivesses triste, mas pensa que pode ser para a próxima, que ainda têm mais oportunidades, que tens de acreditar porque isso tb ajuda.
Não desistas!!! Não desistas!!!
És uma mulher corajosa e vais conseguir alcançar o teu sonho.
Um bj do tamanho do mundo.

carla disse...

Olá amiguinha.
Passei aqui para ver se estava tudo bem contigo e para te deixar um grande e carinhoso beijinho.
Espero que tenhas uma boa semana.
Carla

conchita disse...

Não sei o que te dizer, todos temos os nossos problemas uns maiores que outros e só quem os vive é que sabe dar o valor.
Eu não sou a pessoa indicada para te dar animo, mas costumam dizer que a esperança é a ultima a morrer...
Bjs de conforto :)

cris disse...

Achei que este teu post transmite na perfeição tudo o que um casal infértil passa. Muito bem escrito.
Parabéns por isso. Transmitis-te na integra todas as emoções.
Espero que te recomponhas rapidamente.
beijos