18 junho 2007

Mulher de pouca fé!


A fé é um tema que não costumo abordar com muita frequência mas, como este espaço serve para abrir o coração e para expor o que me vai na alma, hoje o assunto é a fé!

Tive uma educação dentro dos padrões normais para o meio onde cresci. Fui baptizada um mês depois de nascer, frequentei a catequese e fiz a primeira comunhão e a comunhão solene. Tive dos meus pais e dos adultos que me rodearam na infância, uma influência clara no que diz respeito à religião católica. Ensinaram-me o que todas as crianças sabem sobre Jesus, sobre o seu nascimento, sobre os seus pais, os seus ensinamentos e sobre o respeito e o temor que devemos ter a Deus. Ensinaram-me tudo isto, tal como aos meus irmãos, e desde que me lembro de ter capacidade de pensar e de aprender que absorvi todos estes ensinamentos. Mesmo depois de adulta, com capacidade e discernimento para decidir e optar na minha vida, casei na igreja e como tal prometi no altar, diante da N.ª Senhora de La Salette, diante do padre, dos padrinhos e de mais de uma centena de familiares e amigos, viver com o meu marido e criar os nossos filhos de acordo com os ensinamentos que nos foram incutidos desde a nossa infância.

Foram cerca de 27 a 28 anos a considerar estes ensinamentos como verdades absolutas na minha vida mas, de há dois anos para cá, essas verdades deixaram de ser absolutas e passaram a ser questionáveis e neste momento, sinto que a minha fé está seriamente ferida! Nos últimos anos tenho-me deparado com situações pessoais e outras não tão pessoais mas, com pessoas próximas que me fizeram questionar muitas certezas e convicções religiosas que sempre me acompanharam.

Sei que com fé, os problemas que enfrentamos na vida se tornam mais fáceis de enfrentar. A fé é um apoio, um pilar para muitas pessoas. “Aconteceu assim porque Deus quis” ou “Deus quis assim e temos que aceitar” ou ainda “… se Deus quiser” são verbalizações comuns por parte dos que são crentes. Existem questões na minha vida e ao redor de mim que me tornam incapaz de aplicar quaisquer destas expressões. Não posso compreender e tão pouco aceitar que seja vontade de Deus que uma mulher sofra com o sofrimento da filha de 5 anos que acaba por morrer com um cancro na cabeça e que, quinze anos depois sofra com o sofrimento do marido que morre também com um cancro na cabeça, sem que o tipo de tumor da filha e do pai tenham qualquer relação genética. Qual é a probabilidade de uma tragédia como esta, acontecer a dois membros da mesma família e como é que é possível que esta mulher ainda se consiga agarrar à fé para tentar vencer o desgosto? Que Deus rouba a filha e o marido a esta mulher e ao mesmo tempo lhe consegue dar conforto?

Eu felizmente, nunca perdi ninguém da família num acontecimento semelhante e os meus problemas são tão pequenos, comparados com um sofrimento atroz como este! Mas, no meu pequeno drama, na nossa incapacidade de gerar um filho, tenho sofrido muitos abalos na minha capacidade de acreditar.

Sempre vivi de acordo com as leis da religião que professo desde a minha infância, sempre me socorri dessas leis para me relacionar com os outros e coloquei-as em prática no relacionamento com o próximo, porque é que Deus nos seus desígnios insondáveis, decidiu que eu/nós teríamos que passar por tudo isto, para aspirar a um dia, “se for vontade Dele”, sermos pais?

Questiono-me muitas vezes se todos estes sentimentos significam uma perda da fé ou, se pelo contrário, continuo simplesmente zangada com Ele, por tudo o que me faz sofrer! Será que é falta de fé ou é falta de humildade?

Espero que o tempo e a vida me tragam a resposta.
Um beijinho grande.
Lita

17 comentários:

carole resende disse...

Ola ! Eu tambem ja me zanguei com
" ele " e sabes bem porqué mas neste momento estou numa fase de muita Paz e fé , por isso te digo Amiga a fé pode ser abalada mas nunca extinta e tem muita fé que a tua hora vai chegar e vais conseguir realizar o teu maior sonho .
Xau mil beijinhos meus e da Victoria ( 36 semanas e 3 dias )

Luna2 disse...

Amiga visito-te pela primeira vez e indentifico-me com as tuas palavras.
Tambem a minha fé se encontra abalada não so pelo problema da infertilidade mas tambem por outros pessoais. Perdi um irmão ao 22 anos de acidente. Agora tenho outro perdido no mundo das Drogas com alguns internamentos e sempre desistindo dos respectivos tratamentos. agora sou eu que me vejo forçada a desistir dele ou a minha vida corria serios perigos de depressão profunda. E ele que nada fez pela vida tem um filho. eu que luto árduamente todos os dias ainda não consegui! Porquê? Ás vezes é muito dificil ter fé!
Mas ao meno tenho fé naqueles que me amam, nos meus amigos.
beijinhos e voltarei ca mais vezes

IC disse...

já me senti assim algumas vezes,eu não sou uma mulher de fé, mas tento manter a esperança.beijinhos grandes

Sol disse...

Eu entendo perfeitamente o que sentes pois, por vezes, a minha fé também é abalada. Mas, quando leio casos como estes: a do cancro e a da Luna2, logo penso que estou a ser muito injusta, egoísta e também com falta de humildade. Devemo-nos sempre lembrar que há alguém pior, ou bem pior. Isso aplica-se a mim, a ti e inclusive a Luna2.
Mas, existe um ditato que diz: "Com o mal dos outros posso eu bem!", não é verdade?!

Todo o ser humano tem o seu "Q" de egoísmo.

Beijinhos

cris disse...

A minha fé não foi abalada, aliás sinto-a cada vez mais reforçada, apesar de cada dia ter mais consciência que dificilmente serei mãe.
Beijocas

Bia disse...

Entendo perfeitamente e o pior é que sinto os mesmo!
Também fui educada como tu, fui baptizada, fiz 1º e 2ª comunhão, crisma, fui catequista, casei pela igreja mas poura e simplesmente não posso entender que deus que é Deus, queira uma coisa dessas, por exemplo o que acabas-te de referir e também não sei se é falat de fé ou de humildade.
Jinhos

Tixa disse...

Amiga o que sentes é normal, mas eu acho que nos temos de "agarrar" a alguma coisa e uma das coisas a que me agarrei foi à fé de acreditar. Se existe um Deus eu acredito, mas tb acredito que se nos deparamos com estas dificuldades algum objectivo há-de ter e esse objectivo é o de nos tornar seres humanos ainda melhores e o duvidar faz parte do nosso percurso.
És uma pessoa fantástica, e vais ser recompensada por isso, agora pode parecer que não, mas temos de acreditar em qq coisa.
Um bj enorme

stardust disse...

Independentemente dos acontecimentos naturais da vida, acredito que existe um ente superior que nos acompanha. Não discuto o seu nome, porque acho que cada um lhe chama como quer: Uns chama-lhe Jesus, outros Jeová, outros Alá, etc.

Sou uma mulher de fé, peço por mim e pelos meus, de coração aberto. Não acredito na fé professada pelos homens, mas na fé pura e simples como ela é.

Agora, nós culparmos Deus pelos azares da nossa vida ou pela morte dos nossos entes queridos ou pelos nossos problemas pessoais parece-me um bocado exagerado, porque se assim fosse ninguém morria nem ninguém sofria, sobretudo as crianças. O que nos acontece é porque tem de acontecer, acho que acredito mais no chamado destino do que num Deus que mexe os fios das nossas vidas como se de marionetas se tratasse.

Beijocas minha querida é sempre saber noticias tuas

Mary disse...

Ólá!
Espero que a resposta que venhas a ter seja aquela que desejas.
Pessoalmente acredito em algo superior que nos comanda ou traça algum percurso e que nós apenas temos hipótese de realizar ulgumas pequenas escolhas.
Não acredito na Igreja, acho que foge ao que Jesus queria que nós tivessemos com padrão de Vida.
Acredito no bem, no respeito, no amor...

Ana Maria disse...

Olà amiga.
Pois é essa questoes todas q nos fazem pensar e dizer sera q vale a pena sera q é justo mas pq a mim se sempre foi dedicada a deus q nunca desrespeitei ninguem ect...
Eu tambem me pergunto mt vez mas ate agora nunca tive resposta mas acredito q o meu anjinho la noceu a minha avo meu olha e proteje pois nuna me deixa ficar mal em certas situacoes da minha vida.
Por mais q nos custe temos q acreditar pq um dia essa respota vira e deus vaite dar o q tanto queres amiga a ti e a todas nos.
Se ele da a quem nao merece pq nao a nos eu tenho uma amiga q teve 10 anos para ter um filho e hoje é a mae mais babada do mundo.
Vai ao blog dela axo q te ia dar forca para seguires em frente http://retalhos-de-uma-vida.blogspot.com
Vai e depois diz me alguma coisa.
Mts beijokas e força amiga :)

Angela disse...

Quando deixarmos de Lhe estar sempre a pedir o que não temos e começarmos a agradecer-Lhe apenas o que temos, aí fazs as pazes com Ele !!!
Beijos

Sonia&Mi disse...

:)) entendo-te tão bem.
Ás xs tb me zango com "ele" e espero as respostas aos meus porquês e cada coisa que faço, em cada bem que recebo. Mas é complicado... muito.

Cristy disse...

Obrigada pelo carinho!
A minha fé também se encontra um pouco abalada, mas tento manter a esperança.
Beijinhos
Cristy

Marita disse...

Eu não tive uma educação religiosa como a tua. No entanto, acredito em Deus à minha maneira. Tenho uma forma muito particular e pessoal de Acreditar.
É legítimo que duvides Dele, creio que todos nós algum dia já duvidámos, nem que por um instante, porque Ele nos "falhou".
Mas é importante nós termos alguma "coisa" a que nos agarrar, recorrer, onde possamos buscar força para enfrentarmos os problemas.
Eu costumo dizer bastantes vezes que temos que Acreditar, porque acho, sinceramente, que se deixar-mos de acreditar não vale a pena lutar mais. Só podemos lutar pelo que acreditamos.

Espero que apesar das duvidas nunca deixes de acreditar.

beijinhos

Pi disse...

Olha, tive uma educação religiosa muito parecida com a tua.
Em 5 anos de uma luta intensa contra a endometriose também desanimei muitas vezes.
Questionei a minha Fé vezes sem conta, naqueles dias que recebia um negavivo depois de tanto esforço eram tramados.
Mas sei que Deus existe e que nos dá o que queremos na hora certa.
Beijos q continua a acreditar

neusa disse...

Amiga tive momentos que pensei como tu porque isto tudo comigo mas logo levantei a cabeça e deus deu-me as forças que percesei para encarar o problema da infertilidade por isso pensa isto é um desafio que deus poe a prova as pessoas mais corajosas beijokas ....gostava muito de poder fazer algo por ti :(

Anónimo disse...

Uma noite tive um sonho...
Sonhei que andava a passear na praia com o Senhor, e, no firmamento, passavam cenas da minha vida. Após cada cena que passava, percebi que ficavam dois pares de pegadas na areia: umas as minhas e as outras eram do Senhor.

Quando a última cena da minha vida passou diante de nós, olhei para trás, para as pegadas na areia e notei que muitas vezes, no caminho da minha vida, havia apenas um par de pegadas na areia.

Notei também que isso aconteceu nos momentos mais difíceis e angustiosos do meu viver. Isso aborreceu-me deveras e perguntei então ao meu Senhor:

- Senhor: Tu disseste-me que, uma vez que resolvi seguir-Te, Tu andarias sempre comigo, em todos os caminhos. Contudo, notei que durante as maiores tribulações do meu viver, havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque é que, nas horas em que eu mais precisava de Ti, Tu me deixaste sozinha.

O Senhor respondeu-me:

- Minha querida filha, jamais te deixaria nas horas de prova e de sofrimento. Quando viste na areia, apenas um par de pegadas, eram as minhas. Foi exactamente nesses momentos que eu andei contigo ao colo